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CAPA NOVA O SELO E-BOOK.jpg

Degustação de O Selo

Olá, querido leitor, aqui você encontrará uma pequena degustação de O selo, o primeiro livro da duologia Herança de sangue. 

Laila Desejava desesperadamente que o sobrenatural fosse real, até que ela conhece Dámian, aquele que mudará tudo em que acreditava.


Revelações assustadoras...


Um passado repleto de segredos...


Romances conturbados...


Vampiros...


Bruxos...


Quando a magia se tornar real, Laila terá que lutar para sobreviver.
Em meio a batalhas épicas e perdas destruidoras ela se tornará forte e descobrirá que o amor tem caminhos perigosos...

​Capítulo 1 – A mudança 

​

Laila fora adotada aos dois anos de idade no orfanato Santa Luzia em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, por Margareth e John, um casal bem diferente. Ele um empresário bem-sucedido dos Estados Unidos, loiro de olhos azuis, pele bem branca quase rosada, corpo malhado de academia, o que escondia bem seus 44 anos; ela uma brasileira nascida no Rio de Janeiro, com 38 anos, cabelos castanhos encaracolados até a altura dos ombros, pele bronzeada do sol, seios e quadris fartos. Conheceram-se em uma viagem dele ao Rio, no Carnaval, há 18 anos, apaixonaram- se logo de cara e casaram-se. Como John não podia ter filhos decidiram adotar, viram Laila com seus cabelos negros, olhos azuis e logo se encantaram, havia algo de especial nela, o brilho nos olhinhos e o carinho com o qual os tratou só confirmou a escolha. Com os papéis prontos e a adoção concretizada levaram a pequena garotinha para seu apartamento na avenida Atlântica. A orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, era agora sua nova casa.

Hoje, com 17 anos, já havia se acostumado ao alto padrão de vida do casal que a adotara, cursava o ensino médio em uma escola particular, vestia-se com roupas de marca, não que fosse vaidosa, mas andava conforme o padrão de seus amigos. Com um gênio forte e uma personalidade explosiva quase sempre se metia em alguma encrenca o que lhe rendia longos sermões regados a lágrimas de Margareth.

O primeiro sábado do ano já começava com a temperatura elevada, mais precisamente 33 °C, um dia ótimo para um mergulho no mar. Laila acordou, como sempre, com sua mãe aos gritos na porta do quarto.

    - Laila acorde, o dia está lindo, você vai perder a melhor parte dele.

    - Já vou.

    - Não me faça entrar aí e te tirar a força dessa cama, mocinha.

    - Já estou em pé.

Incomodada com a insistência da mãe, apenas se levantou e decidiu que estava na hora de acordar e encontrar Rebeca, sua melhor amiga, na praia. De banho tomado e bolsa pronta, foi até a cozinha do apartamento onde seus pais estavam tomando seu café, ele, como sempre, na ponta da mesa com uma xícara de café preto e o jornal do dia, adorava ler as notícias, dizia que era bom estar sempre inteirado do que acontecia a sua volta. Margareth vestia seu avental matinal com um sol amarelo desenhado, Laila não entendia por que sua mãe insistia que aquele avental era bonito, para ela parecia um tanto assustador aquele sol tão amarelo com olhos grandes e braços estranhos.

    - Venha querida, vamos tomar um café.

    - Obrigada mãe, mas estou de saída, vou encontrar Rebeca na praia.

    - Por que a pressa se é só atravessar a rua?

    - Só não estou com fome. Tchau!

Laila saiu correndo e bateu à porta antes mesmo que sua mãe a convencesse a ficar e tomar seu café. Rebeca já a esperava sentada em uma cadeira embaixo de um guarda-sol, afinal o dia estava só começando e a temperatura, com certeza, iria aumentar depois do meio-dia. A amiga usava um biquíni pequeno e todo florido em tons de laranja e verde, adorava coisas extravagantes.

    - Nossa você demorou amiga!

    - Sinto muito Rebeca, meus pais não queriam me deixar sair.

    - Acho que nem se fossem seus pais verdadeiros seriam tão chatos assim.

    - Eles não são chatos, só se preocupam demais.

    - Se você está dizendo...

Sua adoção nunca fora um segredo nem um problema, muito pelo contrário, se orgulhava dos pais que tinha e da forma que vivia. Assim que teve idade suficiente para entender, sua mãe contou como a adotou e combinaram não falar mais no assunto depois disso, sabia que não serem seus pais biológicos não mudava o fato de amá-los e ser grata por terem cuidado dela e, se seus pais verdadeiros a deixaram na porta de um orfanato não mereciam sua consideração.

    - Laila o que achou do meu novo visual?

    - Hum... ficou bom. ― Laila torceu para que a amiga não notasse sua mentira, não havia gostado nem um pouco de seu cabelo azul.

Rebeca era branca, olhos pretos, seus cabelos a cada semana tinham uma cor nova, mas dessa vez estavam azuis e na altura dos ombros: aos seus 17 anos gabava-se do corpo curvilíneo. Laila era um pouco mais discreta, cabelos negros e lisos, até o meio das costas, olhos azuis como o céu em dias limpos, pele branca, quadril largo e seios fartos para uma garota da sua idade, sentia-se na média, mas isso nunca fora o suficiente, ainda mais entre pessoas com dinheiro, onde a vaidade começava cedo. As aulas começariam em algumas semanas e ambas estavam empolgadas e decidindo onde iriam comprar roupas para o primeiro dia de aula, compras era o que mais adoravam fazer juntas, quem não gostava disso eram seus pais quando a fatura dos cartões chegava e um sermão era passado.

Depois de algumas horas de praia e um mergulho para melhorar os ânimos se despediram e voltaram para suas casas, Laila encontrou seus pais em uma discussão acalorada, então passou correndo discretamente até seu quarto, onde ouviu apenas parte da discussão:

    - Isso não é justo John, não podemos mudar agora que ela se encaixou em algum lugar.

    - Não estamos discutindo essa questão, isso já foi decidido! Não há o que contestar.

    - Então vamos ver se não há! ― disse a mãe batendo a porta do banheiro com força.

Laila ficou parada esperando que o vidro da porta se estilhaçasse, mas nada aconteceu, decidiu não pensar nisso agora, tinha outras coisas para resolver como o fato de seu namorado ter desaparecido durante o período de férias. Pegou o celular e conferiu se havia alguma mensagem e nada. Tinham começado um romance pouco antes das férias do fim de ano, prometeram se falar e marcar um encontro, mas essa promessa não foi cumprida; desde que as aulas acabaram não tivera notícia de Diego, seu galã de olhos verdes, ombros largos, sorriso apaixonante, e cabelos loiros como o sol. Seu 1,80m de altura era a medida certa para beijos avassaladores, mas não iria dar o braço a torcer e procurá-lo, não depois de ter dito que quem deveria ter a iniciativa era ele.

Dias se passaram e as aulas começaram, no primeiro dia tinha perdido um bom tempo em frente ao guarda-roupas experimentando tudo o que podia, acabou por escolher uma blusa de alcinha preta bem justa, o que marcava a curva de sua cintura, uma minissaia jeans e uma sandália de salto preta. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e a maquiagem era bem discreta. Quando atravessou o portão da escola quase caiu de cara ao ver Diego agarrado ao pescoço de uma loira alta, queria muito ir até lá e fazer um barraco, mas tentou ao máximo se controlar, engoliu as lágrimas que insistiam em sair e tentou passar despercebida, o que teria dado certo se não fosse o beijo de língua que viu ao passar por eles. Isso foi o suficiente para seu gênio explosivo e personalidade forte, tudo bem que não tinham nada muito sólido, mas isso já era demais, ela apenas gritou sem se importar com nada:

    - Quem você pensa que é para fazer isso comigo?

    - Desculpe, mas quem é você, garota? ― disse Diego levantando uma sobrancelha.

    - Quem sou eu Diego? Sou a garota com quem você estava namorando antes das férias.

    - Ah tá, me lembro de você... aquela garota meio pegajosa!

Ele a olhou com um meio sorriso. O ego dela havia sido ferido, gritou um palavrão, agarrou os cabelos da loira e em menos de cinco minutos estavam as duas no chão distribuindo socos e tapas, até que Carmela, a diretora, chegou e todos se afastaram. Ela era uma mulher robusta de cabelos alaranjados e seios fartos, a pele branca e as bochechas cheias.

    - O que está acontecendo aqui?

    - Nada! ― responderam as duas ao mesmo tempo.

    - Não é o que parece, já para a diretoria as duas, vou chamar seus pais ― disse a diretora, apontando a direção que as duas deveriam seguir.

Era tudo o que ela precisava depois da discussão que os vira ter pela manhã, agora receberia um sermão, seus sentimentos eram um misto de raiva e ressentimento, mas teria tempo para pensar neles mais tarde. Minutos depois, esperando do lado de fora da diretoria, Laila avistou seus pais chegarem com cara de poucos amigos, apenas olharam para os hematomas no rosto da garota, a loira sabia mesmo brigar, com certeza Laila teria um olho roxo pela manhã.

    - Mocinha vamos conversar sério em casa ― disse John com as sobrancelhas arqueadas.

Aquilo não era nada bom, era a expressão que ele usava quando estava prestes a perder o controle.

Depois de 30 minutos na sala da diretora os pais saíram, a mãe fez um gesto para que Laila se levantasse e a seguisse. O caminho até em casa foi longo e tenso, sem nenhuma palavra por todo o trajeto. Quando entraram no apartamento, Laila correu para seu quarto esperando fugir da bronca, mas foi impedida pela mão de John em seu braço.

    - Onde você pensa que vai?

    - Tomar um banho, pai!

    - Não, você não vai!

    - Mas acho que preciso... ― disse Laila, tentando se esquivar do que viria.

    - O que você precisa é de limites Laila, coisa que não temos colocado ultimamente.

    - Mas eu tenho limites.

    - Isso não é um diálogo mocinha, é uma bronca, então escute calada e não piore as coisas.

John não estava para brincadeiras, sempre fora um homem doce e gentil, mas nas poucas vezes em que perdia o controle se tornava autoritário e irredutível, e essa era uma dessas vezes.

    - Conversei com sua mãe e ela não gostou da ideia, mas iremos nos mudar no fim dessa semana. Recebi uma proposta de negócio na Pensilvânia, e aceitei.

    - Pensilvânia? Você só pode estar brincando pai! Não posso sair daqui. E meus amigos? E minha vida?

    - Já te disse para não discutir comigo, isso não está em votação. Nós vamos, você querendo ou não, irá conosco.

    - Eu não posso deixar minha vida pra trás, pai.

    - Que vida? Você tem 17 anos, não viveu nada ainda e mora comigo. Nós vamos e ponto. Agora pode ir tomar seu banho e comece a arrumar suas coisas. Não precisa levar tudo, compraremos roupas novas por lá, afinal, o clima é bem diferente nessa época e não quero ouvir nenhum resmungo, estamos entendidos?

    - Agora isso se tornou um diálogo?

    - Não brinque comigo Laila!!

    - Ok, estamos entendidos.

Laila saiu pisando firme e se trancou no quarto pelo resto da tarde, nem lembrou do banho que queria tomar, só conseguia pensar em como tudo ia mudar e como seu pai era injusto, ela não queria ir, estava feliz e confortável em sua escola e com seus amigos, sempre odiou mudanças e essa, com certeza, era uma das piores.

©2021 por Bruna Bruzon. Orgulhosamente criado com Wix.com

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