Degustação de Ascensão da Raça
Olá, querido leitor, aqui você encontrará uma pequena degustação de Ascensão da Raça, um dos meus livros de fantasia.

Serena e Max foram escolhidos para selar a paz entre seus reinos por meio de um casamento arranjado. Ambos carregam cicatrizes de uma infância marcada por perdas e desafios, e agora precisam abandonar tudo o que conhecem, suas vidas, seus medos e seus passados, para proteger os povos que representam.
Serena é uma poderosa bruxa elemental; Max, um bruxo que domina as artes sombrias da magia negra. Mundos opostos, forças em conflito.
Será possível que dois corações tão diferentes aprendam a confiar um no outro? Poderão eles transformar uma aliança em esperança verdadeira para seus reinos e corações?
Capítulo 1 – Novo Rei
Serena foi uma criança tranquila e disciplinada, seus dias eram cheios de tarefas para que não tivesse tempo para traquinagens. Seus pais: o Rei Oscar e a Rainha Demeter, não tinham tempo para ela, então foi criada por babás e tutoras, que cuidavam de sua educação e tudo o que fosse necessário.
Durante a manhã estudava em seu quarto com professores particulares: português, matemática, história e etiqueta. Então, pontualmente ao meio-dia, descia para sua refeição que era feita apenas na companhia de sua babá que jamais ousava se sentar à mesa. Durante a tarde tinha aulas de dança, montaria e magia; era da realeza, mas ainda assim era uma bruxa e tinha a obrigação de saber manipular os elementos com maestria, principalmente o fogo que dava nome ao reino: Ignis.
Entretanto, como tudo são fases, a etapa disciplinada da pequena princesa passou, dando lugar a rebeldia que adquiriu ao tornar-se irmã mais velha. O castelo estava em festa, pois a rainha finalmente conseguira dar à luz ao tão esperado herdeiro, e se dedicava como nunca ao pequeno bebê. O ciúme cresceu na princesa que nunca se quer havia ganhado um olhar de aprovação de seus pais, então passou a rejeitar os professores e as aulas que achava desnecessárias, mantendo apenas a de magia, tinha apenas 13 anos, mas sabia que aquilo lhe serviria algum dia.
Não obteve resultados ao colocar em prática seu plano de chamar a atenção para si, e ao notar que ninguém se importava com o que fazia ou não, decidiu fazer apenas o que tinha vontade, passou a acompanhar os treinos da guarda real, e depois apenas de dois anos observando, decidiu pedir para que a ensinassem. Não vendo problema algum em uma mulher saber se defender, o chefe da guarda aceitou dar a ela aulas de luta com espadas e ensinar alguns golpes.
O herdeiro estava crescendo e demonstrando poderes que fariam dele um governante digno, contudo havia algo de errado com tanta magia.
Anos se arrastaram pelos corredores frios do castelo, e Serena mal trocava palavras com seus pais ou irmão, ainda que vivessem sob o mesmo teto. A distância entre eles não era apenas física; era feita de silêncios densos, olhares desviados e uma saudade inexplicável, de algo que jamais aconteceu.
Aos dezoito anos, Serena era uma visão hipnotizante. Seus longos cabelos ruivos, como chamas, dançavam ao vento com um brilho dourado ao toque do sol. Os olhos, de um verde cortante como esmeraldas recém polidas, pareciam carregar o calor de uma fogueira eterna, profundos, intensos, indomáveis.
Seu corpo, esculpido pelo rigor dos treinamentos diários, era uma combinação harmoniosa de força e graça. Cada músculo definido era fruto de disciplina e determinação. Curvas exuberantes marcavam sua silhueta com a mesma intensidade com que ela se movia pelo campo de combate: firme, ágil, buscando a perfeição da letalidade em batalhas. A pele, alva como porcelana, exalava calor quando sua magia se ativava e havia sempre um leve aroma de fumaça e canela no ar quando ela se concentrava.
Ela já conseguia derrubar a maioria dos guardas com facilidade. Seus movimentos eram uma dança incendiária: um giro, um chute, um golpe certeiro com a lâmina curta que sempre trazia presa à cintura. Serena se orgulhava disso. Era o fogo que queimava por dentro que a fazia ser mais do que esperavam dela. E ela sabia disso. Mas em nenhum de seus treinos cruzara com seu irmão, não sabia nem como ele era fisicamente, pois o príncipe era mantido e treinado separado dos demais. Sua magia era perigosa demais para soldados inexperientes, e visando manter a guarda real segura, o rei ordenou que os treinos do herdeiro fossem feitos dessa maneira.
Aos 19 anos veio a notícia que tirou seu chão, seu pai havia adoecido subitamente, sem nenhum motivo aparente, seu irmão ascenderia ao trono e tomaria as rédeas para que as coisas não ficassem ruins, contudo, dias depois da coroação do novo rei, seu pai faleceu, não deixaram que ela o visse, nem se despedisse, não sabia o motivo, mas havia se tornado uma prisioneira do palácio.
Desesperada e aos gritos derrubou alguns guardas e parou em frente ao quarto de seu irmão gritando, exigindo uma reunião. Pela primeira vez veria aquele que mudara tudo. Mas as coisas não seriam como ela esperava, seu irmão se recusou a vê-la no primeiro momento, a fazendo esperar por horas na porta de seus aposentos. Ele tinha que admitir que a garota era insistente, fazia 5 horas desde que fora informado de sua presença e ela permanecia em pé e aos gritos, não entendia como ainda tinha voz.
Bryan, o novo rei, se deixara ser tomado pela magia, que se apossou de seus sentimentos e corpo, ele já não era mais alguém que se importava com coisas fúteis como amor e família, mas aquela garota o estava irritando, colocou seu manto e abriu as portas a vendo com o rosto vermelho e inchado de tanto chorar.
— Como pôde fazer isso com ele?
— Do que está falando?
— Você o matou!
— Espero que retire sua acusação, ou terei que puni-la.
— Me punir? Por exigir a verdade?
— Você não está aqui em busca de verdade, quer um culpado pela morte do antigo rei.
— O antigo rei é nosso pai! O que houve com você irmão? Por que age dessa maneira fria?
— Sou o rei, então me trate como tal. Não preciso dar explicações de nada a você. O rei Oscar está morto, e o reino precisa de um regente com pulso firme para evitar a guerra e a queda de nosso império.
— Não estou entendendo uma palavra sua.
— Porque não passa de uma criança mimada. Enquanto você corria pelo castelo e brincava de soldado, eu estudei e me dediquei para assumir o trono. Então se coloque em seu lugar e comece a agir como uma princesa!
Bryan não lhe deu tempo para responder, apenas virou as costas e bateu as portas, deixando-a sozinha.
Serena já havia se acostumado a solidão, mas aquilo era demais. Foi até a porta do quarto de sua mãe e tentou conversar, mas ela se recusou a abrir, logo os guardas a tiraram de lá arrastada, com a desculpa de que a antiga rainha ainda vivia o luto e precisava de um tempo para se recuperar. Então, sem opção, ela se deixou ser levada até seu quarto, e chorou até adormecer.